segunda-feira, 31 de maio de 2010

De corações e espadas (de Alma Welt)

Somente de ilusões amor prospera
E se torna imenso, engalanado
Como um rito de ânsias e de espera
No porto sobre o rio, embandeirado

Para o retorno triunfal do amado
Que entrará na foz de meus delírios
Depois de tantos mares, tantos rios,
Tantos reinos outros do seu fado...

Bah! Mas é apenas minha varanda!
Tenho por certo sonhos de grandeza
Enquanto o coração louco desanda

E voraz envia apelos e torpedos
Para um guri na nave de brinquedos,
De corações e espadas sobre a mesa...

Nota
Sempre a bela Alma a esperar por seu amado irmão Rodo, que anda longe, pelo mundo, nas mesas de pôquer (copas e espadas sobre a mesa). (Lucia Welt)

De puro coração (de Alma Welt)

Como eu rodava em baile de galpão!
Eu e Rodo, jovens, tão felizes,
Às vezes cometendo alguns deslizes
Que não devo na frente de peão:

Um beijo daqueles, de querência
Ou um ardente olhar testemunhado
Por bombachas rivais, ali ao lado,
Que nos estranhavam tanta ardência!

E no final uma peleia deslocada,
Pretexto para compensar o espanto
E o desejo pela prenda inalcançada.

E eu, leve, muito solta e... leviana,
A pensar que a vida era um encanto,
Que puro coração jamais se engana...


08/09/2005

domingo, 23 de maio de 2010

Fim de verão (de Alma Welt)

Como nos amávamos nas noites,
Quando do jogo voltava o meu irmão!
Mas dizia a Matilde: “Não te afoites,
Que não dura nem todo o verão...”

“Logo o verás fazer a mala,
E roncar o motor em sua ânsia
De queimar pneu por essa ala
Que leva à porteira desta estância.”

“E sei que chorarás, tendo abraçado
Suas pernas, qual guria-carrapato,
E, louca, arrancando-lhe o sapato."

“Tanto agarramento até que parta,
Que pra mim já parece desculpado
De querer mais fichas e outra carta...”

(sem data)