segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Impotência (de Alma Welt)

O quê fazer? Senão olhar, e suspirar...
Pergunto a mim mesma nestes dias.
"Cuida, o caldo está para entornar!
Pensava que mais sábia tu serias..."

A casa afunda, e com ela meu vinhedo.
Ou é justo o contrário que acontece.
Ele a fazer das cartas seu degredo,
Ela já a destecer enquanto tece...

Está tudo perdido, é o que se diz.
A vida é um naufrágio programado...
Queres viver pra sempre e ser feliz?

Bah! Jardim perdido, ó meu pomar
Onde o mais puro amor foi estuprado!
Ó amor, ó vida minha... ó azar!

(sem data)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A louca da varanda (de Alma Welt)

Eis a louca da varanda, que me sei,
Que estou aqui há muito meditando
Tentando descobrir onde eu errei
Para estar assim tanto esperando...

Penélope de mim em tempo morno,
Aguardo um sinal vindo do rei
Que me prometeu o seu retorno,
Que mesmo fria e morta esperarei.

Ai!Tempos de ventura, nossa infância,
E depois primeira juventude
Que tentei perpetuar enquanto pude!

Descobri meu destino pelas cartas
No jogo do meu rei, na louca instância
De sofrer-me que voltando logo partas...

(sem data)