Vamos juntos à campa do Maestro,
Rodo, meu irmão, hoje não escapas.
Sei que houve diferenças e até tapas
No afeto de vocês, duro e canhestro.
Mas ele te amava como a mim,
E no fundo se orgulhava da magia
Com que levas esse teu jogo sem fim,
Que provaste ter sua própria melodia...
Vê, aqui podes trair-te pelo olhar,
Que o blefe não vigora neste sítio
Onde as aves e os ventos vem pousar.
E se ao me abaixar para pôr flores
Disfarçares na face um brilho vítreo,
Blefarás ante o maior dos jogadores...
(sem data)
quarta-feira, 31 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Quando a primavera retornar (de Alma Welt)
(ou Proezas do Rodo)
Quando a primavera retornar
Quero colher flores nas coxilhas,
Como outrora, Rodo, a conversar
Ou só a admirar as maravilhas,
O que é mais aprazível e eficaz,
Pois que me causou grande aflição
Tua obscura proeza como ás
Do pôquer na última estação,
Quando entre banqueiros te sentaste
Jogando “tua” estância alardeada
E ganhaste um milhão numa cartada.
Não sei se te bato ou se te abraço,
Ao me dares, não de flores, este maço,
Se minha vida em tuas mãos tomaste...
(sem data)
Quando a primavera retornar
Quero colher flores nas coxilhas,
Como outrora, Rodo, a conversar
Ou só a admirar as maravilhas,
O que é mais aprazível e eficaz,
Pois que me causou grande aflição
Tua obscura proeza como ás
Do pôquer na última estação,
Quando entre banqueiros te sentaste
Jogando “tua” estância alardeada
E ganhaste um milhão numa cartada.
Não sei se te bato ou se te abraço,
Ao me dares, não de flores, este maço,
Se minha vida em tuas mãos tomaste...
(sem data)
sexta-feira, 26 de março de 2010
Recordações (de Alma Welt)
Me lembro que durante minha infância,
Quando a chuva caía torrencial
Com aqueles raios sobre a estância,
Eu via aquilo como algo pessoal.
Os estalos então eram açoites,
E a trovoada uma grande gritaria
Para me punir dentro das noites,
Que nelas me ocultar não poderia.
Mas, báh! debaixo do lençol
Ou da minha manta pampiana,
Eu estava segura como ao sol,
E mais, porque o Rodo aproveitava
Para entrar também nessa cabana,
E era o sol que comigo se deitava...
28/04/2005
Quando a chuva caía torrencial
Com aqueles raios sobre a estância,
Eu via aquilo como algo pessoal.
Os estalos então eram açoites,
E a trovoada uma grande gritaria
Para me punir dentro das noites,
Que nelas me ocultar não poderia.
Mas, báh! debaixo do lençol
Ou da minha manta pampiana,
Eu estava segura como ao sol,
E mais, porque o Rodo aproveitava
Para entrar também nessa cabana,
E era o sol que comigo se deitava...
28/04/2005
quarta-feira, 3 de março de 2010
Um outro Negrinho ( de Alma Welt)
Havia aqui na estância um negrinho
Que eu cismei de colocar no pastoreio
Pelo capricho de rasgar o pergaminho
E recontar a saga em outro meio.
Mas Rodo, meu irmão, por ironia,
Roubou-nos de noite uma só rês,
Só pra observar o que eu faria
Para dar um novo fecho desta vez.
Mas, ai de mim em minha jactância!
Esta foi a variante não prevista:
O Negrinho sumiu aqui da estância
Deixando meus remorsos neste Pampa,
E ruivos, repintados, como pista,
Os cabelos da Virgem numa estampa...
(sem data)
Que eu cismei de colocar no pastoreio
Pelo capricho de rasgar o pergaminho
E recontar a saga em outro meio.
Mas Rodo, meu irmão, por ironia,
Roubou-nos de noite uma só rês,
Só pra observar o que eu faria
Para dar um novo fecho desta vez.
Mas, ai de mim em minha jactância!
Esta foi a variante não prevista:
O Negrinho sumiu aqui da estância
Deixando meus remorsos neste Pampa,
E ruivos, repintados, como pista,
Os cabelos da Virgem numa estampa...
(sem data)
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