sábado, 30 de outubro de 2010

Tara (de Alma Welt)

Quando diante estou do meu amor
Tudo em mim desperta e se alteia:
O bom, o belo e, sim, um tanto a dor,
Nunca o mal, a face escura e feia.

E quero somente dar-me e dar-me,
Nada exigindo, e esse é ponto frágil
Dessa fina sintonia leve e ágil
Com seu riso, sua pele e o seu charme.

Mas, bah! Certo de mim, ele não pára
E pode então ser livre e ir pro mundo
Bem longe do que dizem: nossa tara!

E eu sei em minha poesia rebelada:
Voltará, não por remorso bem no fundo:
Ao clamor de nossa carne abandonada...

(sem data)

domingo, 24 de outubro de 2010

A ilha dos sem-muros (de Alma Welt)

Também eu canto de amor, impenitente,
Já que amo e amada sou por meu irmão,
Mas tão logo condenada pela gente
Que segue a norma, a lei e o padrão.

Mas, vede, um grande amor se sobrepõe
Às regras arbitrárias e as afronta
Qual aquele que o grande bardo conta
E no ápice do amor humano põe.

E tentei, bah, como! e ainda tento
Vencer a maré dos descontentes
Às custas do verbo e do talento

Navegando numa nau de versos puros
Em que vamos, ele e eu, pelos poentes,
À Ilha dos que desconhecem muros...

(sem data)

domingo, 10 de outubro de 2010

A volta do guerreiro (de Alma Welt)

Estarei contigo, Rodo, até o fim,
Quando afinal despojado da ilusão
Voltares sem teu Aston Martin,
Tendo perdido tua derradeira mão,

Traído pelas cartas que amavas
Mais do que a irmã que te venera,
Pois mantenho a porta sem as travas:
Não precisas chamar a quem te espera.

E pousando tua cabeça de guerreiro
No regaço da rainha renitente
Não necessitarás de outro parceiro

Por um mês, se tanto, quem me dera!
Quem sou para enfrentar tua quimera?
Já começo a destecer daqui pra frente...

(sem data)