quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Dama (de Alma Welt)

Quanto temos, Rodo, pra lembrar!
Nossa rica vida em comunhão...
Sim, pois sabes que devemos encarar
Que foste muito mais que meu irmão.

Nossa antiga e poderosa ligação
Que oculta ou secreta não mais era,
E que sempre produziu a reação
Daqueles de quem Ciúmes se apodera...

Mas agora livres tu te apartas,
O mesmo amor do proibido te levou...
Ficamos sós, cada um a deitar cartas:

Tu a blefares e a vencer teus oponentes,
Eu nesta velha varanda dos poentes
A tirar somente a Dama que sobrou...

(sem data)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Horas Roubadas (de Alma Welt)

As horas despendidas te esperando
Amor, agora as sinto tão roubadas...
Pois que em mim pouco pensando,
Jogas teus amores, tuas cartadas.

Sim, Rodo, cavaleiro da fortuna,
Que te olho daqui já tão descrente,
Tu, ao lado d’uma gata, mas gatuna
Que te aliviará do excedente:

Teus lucros, tua beleza e juventude,
O amor que ainda terias se quisesses,
Que tanto apostei enquanto pude,

Quando já não tínhamos feitores,
Tendo partido a dama dos Açores,
E as cartas eram outras, como preces...

(sem data)