quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Rei dos Descalabros (de Alma Welt)

Acendam luzes, velas, candelabros,
Quero a casa em festa nesta noite!
Alguns o chamam “rei dos descalabros”,
Mas peço, não me impeçam que me afoite.

Jogou a nossa estância... mas ganhou!
Até este casarão trocou em fichas.
Com sua própria irmã ele dobrou
E uma fortuna fez, de velhas rixas...

Para saudar o aventureiro, acenderei!
Vou esperá-lo na varanda com champanhe,
Não o censurarei... Deus me acompanhe!

Para não ser comedida com o sortudo,
Ao abraçá-lo forte, esquecerei
Ter jogado minha carne, alma, e tudo...

(sem data)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O estaleiro (de Alma Welt)

Na última vez que foste embora
Morreu um pouco mais minha criança
Nos meus braços, retida desde agora
Nesta ativa aduana da Lembrança.

Já não estamos juntos no meu horto...
Devo aceitar que tu és o marinheiro
Que tens uma mulher em cada porto,
E eu cá sou a partida ou estaleiro

Quando voltas um pouco mais distante
E cínico, do mundo mais descrente,
Embora o tenhas todo à tua frente,

Que é o teu quintal de estrepulias,
Mas não mais o de um tempo deslumbrante
Quando tinhas-me na mão e tu sabias...