Acendam luzes, velas, candelabros,
Quero a casa em festa nesta noite!
Alguns o chamam “rei dos descalabros”,
Mas peço, não me impeçam que me afoite.
Jogou a nossa estância... mas ganhou!
Até este casarão trocou em fichas.
Com sua própria irmã ele dobrou
E uma fortuna fez, de velhas rixas...
Para saudar o aventureiro, acenderei!
Vou esperá-lo na varanda com champanhe,
Não o censurarei... Deus me acompanhe!
Para não ser comedida com o sortudo,
Ao abraçá-lo forte, esquecerei
Ter jogado minha carne, alma, e tudo...
(sem data)
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O estaleiro (de Alma Welt)
Na última vez que foste embora
Morreu um pouco mais minha criança
Nos meus braços, retida desde agora
Nesta ativa aduana da Lembrança.
Já não estamos juntos no meu horto...
Devo aceitar que tu és o marinheiro
Que tens uma mulher em cada porto,
E eu cá sou a partida ou estaleiro
Quando voltas um pouco mais distante
E cínico, do mundo mais descrente,
Embora o tenhas todo à tua frente,
Que é o teu quintal de estrepulias,
Mas não mais o de um tempo deslumbrante
Quando tinhas-me na mão e tu sabias...
Morreu um pouco mais minha criança
Nos meus braços, retida desde agora
Nesta ativa aduana da Lembrança.
Já não estamos juntos no meu horto...
Devo aceitar que tu és o marinheiro
Que tens uma mulher em cada porto,
E eu cá sou a partida ou estaleiro
Quando voltas um pouco mais distante
E cínico, do mundo mais descrente,
Embora o tenhas todo à tua frente,
Que é o teu quintal de estrepulias,
Mas não mais o de um tempo deslumbrante
Quando tinhas-me na mão e tu sabias...
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
A Dama (de Alma Welt)
Quanto temos, Rodo, pra lembrar!
Nossa rica vida em comunhão...
Sim, pois sabes que devemos encarar
Que foste muito mais que meu irmão.
Nossa antiga e poderosa ligação
Que oculta ou secreta não mais era,
E que sempre produziu a reação
Daqueles de quem Ciúmes se apodera...
Mas agora livres tu te apartas,
O mesmo amor do proibido te levou...
Ficamos sós, cada um a deitar cartas:
Tu a blefares e a vencer teus oponentes,
Eu nesta velha varanda dos poentes
A tirar somente a Dama que sobrou...
(sem data)
Nossa rica vida em comunhão...
Sim, pois sabes que devemos encarar
Que foste muito mais que meu irmão.
Nossa antiga e poderosa ligação
Que oculta ou secreta não mais era,
E que sempre produziu a reação
Daqueles de quem Ciúmes se apodera...
Mas agora livres tu te apartas,
O mesmo amor do proibido te levou...
Ficamos sós, cada um a deitar cartas:
Tu a blefares e a vencer teus oponentes,
Eu nesta velha varanda dos poentes
A tirar somente a Dama que sobrou...
(sem data)
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Horas Roubadas (de Alma Welt)
As horas despendidas te esperando
Amor, agora as sinto tão roubadas...
Pois que em mim pouco pensando,
Jogas teus amores, tuas cartadas.
Sim, Rodo, cavaleiro da fortuna,
Que te olho daqui já tão descrente,
Tu, ao lado d’uma gata, mas gatuna
Que te aliviará do excedente:
Teus lucros, tua beleza e juventude,
O amor que ainda terias se quisesses,
Que tanto apostei enquanto pude,
Quando já não tínhamos feitores,
Tendo partido a dama dos Açores,
E as cartas eram outras, como preces...
(sem data)
Amor, agora as sinto tão roubadas...
Pois que em mim pouco pensando,
Jogas teus amores, tuas cartadas.
Sim, Rodo, cavaleiro da fortuna,
Que te olho daqui já tão descrente,
Tu, ao lado d’uma gata, mas gatuna
Que te aliviará do excedente:
Teus lucros, tua beleza e juventude,
O amor que ainda terias se quisesses,
Que tanto apostei enquanto pude,
Quando já não tínhamos feitores,
Tendo partido a dama dos Açores,
E as cartas eram outras, como preces...
(sem data)
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