domingo, 30 de dezembro de 2012

A Barca (de Alma Welt)

Alma no trigal- óleo s/ tela de Guilherme de Faria 2012
 
 
A Barca (de Alma Welt)

Meu consolo é restar entre os poetas,
Que já não tenho por aqui o meu lugar,
Que me olham de lado ou lançam setas
Que por vezes me atingem o calcanhar.

E eis-me uma poeta manca e tola, *
A claudicar na coxilha sob as nuvens! *
De noite um bacurau, de dia, rola,
Enquanto, Rodo, bem podias mas não vens...

E quê vergonha corro o risco de sentir
Se por acaso eu tiver que repassar
Meus inúteis versos num porvir!

Talvez pusesse fogo nesta arca
Se eu tivesse a coragem de passar
Como suave vento em minha barca...

_______________________

Notas
* ... manca e tola- notem que essas duas palavras soam como "manquitola" , isto é manquinha...

* a claudicar sob as nuvens- Com claudicar=mancar, Alma ao mesmo tempo ecoa foneticamente a palavra inglesa "clouds"= nuvens.

Nenhum comentário:

Postar um comentário