sábado, 23 de fevereiro de 2013

Caim às avessas (de Alma Welt)





  Eros e Psiqué -  desenho de Guilherme de Faria
 

Caim às avessas (de Alma Welt)

Refém da memória eu me recordo
De tudo quase tudo a que quis dar-me
Desde que de manhã cedo acordo
Até de noite na hora de deitar-me.

E foi sempre ao belo e à poesia
Que entreguei meu corpo e coração.
“Hipócrita!” Ouço o grito na coxia.
“Primeiro te entregaste ao teu irmão!”

Se Caim sou às avessas, não matei.
E quanto à voz de Deus a repreender-me,
Só consigo me lembrar do que falei

Quando me alteei e ergui o rosto:

"Senhor, do amor não hei de arrepender-me,"
“Regalo da vida o que é de gosto..."
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário